Como sua empresa pode se preparar para a Internet das Coisas

O mundo da Internet das Coisas pode ser uma alternativa para aumentar a produtividade da economia!

As estimativas mostram um cenário favorável para a implementação da IoT no Brasil, gerando uma receita de até US$ 200 bilhões por ano, até 2025 

Quando Kevin Ashton, pesquisador do Massachusetts Institute of Technology (MIT), publicou o artigo That ‘Internet of Things’ Thing” (“As coisas da Internet das Coisas”) em 2009, o termo Internet das Coisas (Internet of Things em inglês ou, simplesmente, IoT) passou a circular no mercado dos negócios. Empresas como Uber e Airbnb surgiram a partir da incorporação de características da IoT e hoje assumem um papel relevante no cotidiano das pessoas.

Estados Unidos, Alemanha, Japão e Reino Unido são os países que aparecem em uma competição acirrada para trazer inovações dos laboratórios para a vida real, apresentando soluções para diferentes áreas, como agricultura, indústria e manutenção de cidades. No Brasil, o mundo da Internet das Coisas também é palpável e tem sido estudado como uma alternativa para aumentar a produtividade da economia.

De acordo com a Associação Brasileira de Internet das Coisas (Abinc), analistas preveem que, até 2020, 20,8 bilhões de dispositivos conectados estarão em uso em todo o mundo. Estimativa da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) mostra que o Brasil já possui cerca de 20 milhões de conexões máquina-máquina. A previsão é que esse número salte para 42 milhões em 2020. Com um cenário assim otimista, cabe debruçarmos sobre esse assunto para saber qual o panorama da Internet das Coisas no Brasil e seus impactos na vida de quem gerencia negócios com perfil digital no país.

O que você vai ler nesse artigo:

  • Qual o panorama da Internet das Coisas no Brasil
  • Quais os desafios para as empresas investirem na Internet das Coisas
  • Como você pode preparar sua empresa para a Internet das Coisas
  • O que podemos concluir sobre a Internet das Coisas no Brasil

Qual o panorama da Internet das Coisas no Brasil

De acordo com o estudo “Internet das Coisas: Um plano de ação para o Brasil”, quatro ambientes foram identificados como prioritários para investimento: agronegócio, saúde, cidades inteligentes e indústria. Lançado em janeiro de 2018, o plano traz um panorama até 2025, onde destaca que a Internet das Coisas pode gerar receita de US$ 50 a US$ 200 bilhões por ano. O potencial da IoT na produtividade da economia brasileira e no aperfeiçoamento de serviços públicos pode ser percebido no transporte rodoviário, por exemplo, onde o monitoramento de mercadorias em tempo real visa reduzir até 25% dos custos. Outra possibilidade é o uso de sensores móveis de monitoramento da qualidade do ar, que devem reduzir em 90% os gastos com equipamentos para controle da poluição.

A pesquisa traz como base a análise dos ecossistemas de IoT em economias avançadas e emergentes, segundo três critérios: Pesquisa de destaque em IoT, onde se apresentam Japão, União Européia, Coréia do Sul, China, Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e Suécia; Forte papel do Estado em IoT, onde surgem Singapura e Emirados Árabes; e Desafios similares aos do Brasil, em que Rússia e Índia foram objetos de análise. O objetivo do estudo é orientar o governo brasileiro na formulação de políticas para o desenvolvimento de IoT no país.

O plano contou com investimento de R$ 10 milhões e foi elaborado por um consórcio que reúne a consultoria McKinsey, o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD) e o escritório de advocacia Pereira Neto Macedo (PNM). Apoiado pelo Fundo de Estruturação de Projetos (FEP) do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e conduzido pelo banco em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), o relatório apresenta entrevistas realizadas em dezenas de empresas e mais de 2 mil contribuições feitas em consultas públicas.

Para acelerar a aplicação em massa desse conceito, um conjunto de fatores precisa ser considerado:

  • Dispositivos eletrônicos mais eficientes, rápidos, menores e baratos.
  • Sistemas avançados de armazenamento e processamento de dados.
  • Redes ubíquas de telecomunicações.

Para implantação da IoT há, porém, também uma série de desafios, dentre os quais destacamos:

  • A segurança dos dados e dos sistemas.
  • O compartilhamento de dados e privacidade.
  • A interoperabilidade entre os próprios aparelhos conectados.
  • Questões regulatórias, legais e de direitos

Mais adiante iremos abordar cada um desses desafios. Antes, vamos conhecer algumas iniciativas brasileiras focadas na Internet das Coisas para propor soluções digitais nas mais diversas áreas.

Controle de pragas na agricultura A empresa digital Agrosmart está desenvolvendo um aplicativo que ajudará o produtor a aplicar o defensivo agrícola no momento certo e na quantidade exata. A ideia é usar feromônios para atrair insetos a armadilhas dotadas de sensores estrategicamente espalhadas pela plantação. Os sensores fazem a coleta de dados e os envia para a internet, onde será feito o processamento das imagens, contagem e identificação dos insetos.

Diagnósticos de saúde rápidos e precisos A empresa Hi Technologies está testando um equipamento de diagnóstico que funciona da seguinte maneira: o aparelho recebe uma gota de sangue, submete essa amostra a reagentes e envia os dados para uma nuvem computacional. Após os dados serem processados, a nuvem devolve o resultado. Com essa tecnologia, um teste de zika, por exemplo, pode ser feito em 20 minutos.

Iluminação inteligente em domicílios A startup IoT Company desenvolveu o projeto WiseHome, que pretende transformar uma casa normal em uma smarthome para que o usuário possa controlar os serviços ligados à energia por um aplicativo de celular. A proposta é que uma placa seja instalada nas tomadas das casas, automatizando a iluminação e fazendo com que o morador controle as luzes e, até mesmo, o portão elétrico. Com a placa instalada, o consumidor pode estabelecer metas de gastos, que o sistema automaticamente gerencia os aparelhos.

Melhoria na produtividade A startup Indwise possui uma plataforma focada na gestão da produtividade de indústrias, ajudando gestores de linha de produção. A plataforma possui um hardware que conecta os maquinários à nuvem, extraindo indicadores diretamente dos sinais de acionamento da máquina. Os indicadores são processados em análises de produtividade para mostrar aos gestores onde eles devem focar esforços para melhorarem sua produtividade.

Quais os desafios para as empresas investirem na Internet das Coisas

Como qualquer tecnologia digital nova, a IoT suscita importantes discussões sobre os desafios da sua implementação. Você enquanto empresário (a) precisa estar ciente do que se passa em torno da IoT antes de fazer qualquer tipo de investimento. Enumeramos logo abaixo os principais desafios segundo a Abinc.

Segurança

Para manter a confiança geral do usuário nessa tecnologia, é fundamental garantir a segurança vitalícia dos produtos e serviços de IoT. Dessa maneira, os desenvolvedores de dispositivos e sistemas têm por princípio assegurar que eles não exponham usuários e a própria Internet a possíveis danos. As ações conjuntas entre indústria e governo podem contribuir para o desenvolvimento seguro, a manutenção e o uso de dispositivos da IoT.

Privacidade

A IoT amplifica as preocupações sobre um potencial aumento de vigilância e rastreamento, e a quantidade de dados confidenciais que podem ser coletados por dispositivos que operam em residências, empresas e ambientes públicos. Esse é um desafio considerável, mas que pode ser transposto através de estratégias que promovam a transparência e a escolha do usuário sobre a coleta e tratamento de seus dados.

Interoperabilidade

Se houver inflexibilidade de integração, plataformas fechadas e preocupação com a dependência de fornecedores, os consumidores podem hesitar ao comprar produtos e serviços da IoT. Além disso, as considerações de interoperabilidade se estendem aos dados coletados e processados. Isso porque formatos de dados incompatíveis e proprietários podem apresentar desafios para os usuários que buscam integrar sistemas, ter flexibilidade de migrar para serviços diferentes ou realizar análises adicionais nos dados coletados.

Questões regulatórias, legais e de direitos

Aqui tratamos das preocupações civis e de direitos humanos com relação à disseminação do monitoramento social, aos usos secundários de dados pelo governo e ao acesso a dados de dispositivos pessoais de IoT pela lei, ou como evidência em ações legais. Além disso, os dispositivos de IoT representam questões de responsabilidade legal. Por exemplo, se alguém for prejudicado como resultado da ação ou inação de um dispositivo IoT, quem se responsabiliza? Encontrar uma resposta para uma questão como essa por vezes é complicado. E, em muitos casos, não há jurisprudência suficiente para apoiar uma posição. Como os produtos e serviços de IoT operam de maneira mais complexa do que os produtos independentes, é preciso contemplar cenários também complexos de responsabilidade.

Como você pode preparar sua empresa para a Internet das Coisas

Tendo em mente os desafios que a IoT nos apresenta, o primeiro ponto a se ponderar é a garantia da sustentabilidade. As empresas estão considerando cada vez mais um modelo de serviço para fornecer segurança, atualizações funcionais e suporte a longo prazo. Ao oferecer essas condições, as empresas assumem a liderança na incorporação da sustentabilidade a seus modelos de negócios, além de disponibilizar funcionalidades, serviços e compatibilidade adicionais a seus clientes. Dessa forma, a comunicação precisa desse compromisso com os consumidores antes da compra é um bom negócio, estabelecendo expectativas realistas e ajudando a proteger sua marca e a reputação corporativa.

Muitas empresas que já surfam na onda revolucionária da informação como estrutura de negócios são, acima de tudo, donas de dados. Isso nos leva ao segundo ponto – a quantidade de informação que os dispositivos IoT produzem e poderão produzir. As organizações devem descobrir meios de armazenar, rastrear, analisar e fazer uso dessa grande quantidade de dados. Nesse cenário a análise de Big Data tem papel fundamental, para dar sentido e utilidade a todos essas informações.

Em último e não menos importante é necessário contar com uma poderosa infraestrutura de dados, tanto para as empresas quanto para o próprio usuário. A próxima evolução das telecomunicações é o 5G. Essa é uma tecnologia digital que está sendo preparada para atender a enorme demanda da Internet das Coisas, em que a cada ano milhões de novos dispositivos serão conectados à rede. No futuro, teremos variados dispositivos conectados, de carros a drones, de servidores remotos a edifícios inteiros. Com uma rede pensada para os dispositivos IoT, cada um deles usará apenas o que for necessário e quando se fizer útil. Isso pode minimizar os problemas de tráfego que ainda enfrentamos atualmente.

O que podemos concluir sobre a Internet das Coisas no Brasil

As aplicações da IoT no Brasil são muitas e podem atender demandas diversas das áreas de saúde, transporte, bem-estar, agricultura, indústria e muito mais. Os desafios nos forçam a amadurecer o conhecimento sobre essa tecnologia. Apostamos que, criar uma cultura de segurança, privacidade e sustentabilidade com transparência, trará benefícios de longo prazo para a sociedade.

Bem, as discussões não acabam por aqui e queremos saber: o que você pensa sobre a Internet das Coisas e sua aplicação no Brasil? Registre seu comentário logo abaixo e compartilhe esse conteúdo para que mais pessoas façam parte dessa etapa da era transformação digital.

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